Portos, oceanos, navios, doenças, agricultura, escravidão, religião enfim todas estas palavras se interligam quando usamos um termo em análise, África, este continente de inúmeras máscaras culturais nos remete a tudo isto se analisarmos sua ligação com o Brasil, a quem diga que nossa cultura se anexou a africana de certa forma, que hoje possamos nos considerar parte dela, a aqueles que dizem que apenas a parte baixa (pobre) do país a anexou e que a camada branca (rica) é que domina e da forma a nossa nação.
A África esta presente em nossa cultura de muitas formas, na comida em que comemos, nas palavras que dizemos, nas músicas que cantamos em nosso sangue, corre sangue de grandes príncipes e reis africanos que trouxeram para cá sua cultura e seus costumes, é inegável que pela miscigenação de etnias em nosso país exista uma cultura cheia de fragmentos encontrados noutras porém a africana é muito presente em nossos dias.
Gilberto Freyre em viagem a Moçambique no ano de 1952 ficou maravilhado ao ver a miscigenação que se tem por lá quase igual ao Brasil, porém em estado bem mais avançado, pois se aqui tínhamos 450 anos de misturas, por lá estas misturas já se perduravam por períodos superiores, lá esta mistura de culturas já ocorria há milênios. Ele tinha a posição que o Brasil era um país muito mais oriental que ocidental se observasse seus costumes, maravilhado ficou ao ver que estas ideias orientais estavam comumente ligadas às imigrações de escravos africanos que á milênios tinham contato com estas culturas orientais.
Freyre acreditava que o Brasil com sua “democracia racial” era um país mestiço e impôs a ideia que ser mestiço era algo muito interessante, para ele a mistura de negros, brancos, mulatos, orientais, índios formando o Brasil como conhecemos, era muito rica, mas sempre afirmando que o grande árbitro que decidiu toda nossa cultura era o povo negro. Prova disto é que nem mesmo a concepção de inferioridade (quanto ao povo negro) imposta pelos europeus foram suficientes para neutralizar as influências africanas em nossa cultura.
Em contraparte em nossa história temos Florestan Fernandes em seus pensamentos demonstrava que a ideia de democracia racial era errônea chegando até chamá-la de mito em poucas palavras ele demonstrou sua indignação com esta teoria. Que igualdade poderia haver entre o senhor, o escravo e o liberto?
Podemos concluir que o Brasil sim é um país vasto de admiráveis valores culturais, valores estes vindos da grande diversidade de etnias que aqui vivem, mas, é uma grande discussão entre Freyre e Fernandes quanto à criação da cultura brasileira a partir da africana, um diz que o país é predominantemente voltado a ideias “brancas” de cultura, outro diz que é formado por um mundo oriental trazido para cá pelos nossos amigos africanos. Devemos deixar de lado estes conceitos eurocentristas e afirmar em nosso país a força do multiculturalismo só assim poderemos fazer um lugar com todo o potencial que temos descrito por Freyre que na teoria seria a forma correta, mas que na prática é mais voltada às ideias de Fernandes, dizendo que não há democracia nem para a burguesia branca, imagine-se para negros e mulatos.
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