sábado, 17 de março de 2012

Revista dos Annales: Reinventando a História




Primeira Geração entre (1929-1946)



Os Annales se formaram para romper com os antigos conceitos metodistas e positivistas que reinavam no contexto da historiografia a ideia de se procurar uma forma alternativa ao comum estava totalmente em evidência sendo que podemos afirmar que neste período foi que o homem passou a estudar a mente humana , pois onde não houvesse o homem não haveria história , a mente humana passa a ser totalmente posta em questão. O homem que faz a história ou a história que faz o homem?

Os durkheimianos viam na sociologia uma forma de se estabelecer uma maior compreensão quanto aos fatos históricos construídos naquele período.

Em 1928 Lucien Febvre cria uma nova forma de se estudar história, diminuindo os caminhos entre a historiografia e as outras ciências sociais. A partir desta fase os Annales criaram uma nova forma de estudo, associando ideias de sociólogos, psicólogos, geógrafos, antropólogos entre tantos outros. Nesta primeira fase podemos evidenciar que o estudo estava voltado para os caminhos econômicos que determinada sociedade alcançava, não obstante que historiadores influenciados pela primeira fase levantavam diversas hipóteses e situações para conseguir criar uma forma de estudo que quebrasse paradigmas de toda uma sociedade que vivia até então.

Após a morte de Bloch em 1946 ( sim ele assassinado pelos nazistas) Febvre tornasse o único diretor da escola dos Annales, porém Febrve passa a diferenciar os conceitos apontados no inicio da escola, se antes o homem a ser estudado era o homem econômico, agora ela tentava abranger todos os aspectos da vida do ser humano, Febvre entende que não apenas a parte econômica que dita o que uma sociedade em comum se tornou, mas sim todo um cunho social também faz parte destes conceitos.


Segunda geração dos Annales (1946-1968):

Neste período podemos destacar que não mais foi dada ênfase apenas as história ligadas a grandes estruturas econômicas, a história passa a ser vista como um todo longos períodos foram estudados como jamais antes foram, e também não podemos esquecer que a camada regional passa a ser vista de uma forma mais empírica.


Terceira geração dos Annales (1968 -*):

Neste período os Annales passaram a serem visto com olhos mais comerciais quanto ao mundo, uma forma mais comercial de como se fazer história começa a se criam nos contextos literários, momentos isolados da historio passam a ser criados, e é incrível como o romancismo começa criar força em seus bastidores, poucos assuntos ainda tinham espaço para serem abordados se usássemos as metodologias anteriores, uma crise de paradigmas passa a ser criada neste momento. A história antes conservadora como conhecíamos jamais seria a mesma, ela passou a se distanciar de uma forma necessária, não convém deixar de dizer que o contexto de ideias que o mundo passava neste período era um tanto quanto turbulento. Duvidas de moralidade e até mesmo para que o ser humano existia no mundo passaram a ser vista com bons olhos para a ciência. Mas como o mundo era como era, não existia um maneira simples de melhor ele , cabia ao historiador explicar pela ideia humana, enxergando o homem como um ser pensante para fazer com que os conceitos fluíssem da melhor forma possível.

Fonte da imagem:

  https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhsANjSxnqCRkZ49ezNdzHJvX1w4_iN-j8qFUezfgp0fh7VXfHR0OVLYvhcI_ObnnJw0Q6j_TgrTHzyrH3S6pVgtYYFQa_0RlZEKJCywGGJR31NKAcoqnrKd3YD9EGMQlYfAQxbzsPIgGpr/s1600/JACQUES+LE+GOFF.jpg    Acesso dia 17/03/2012


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Entrave: Influência africana na cultura brasileira


 Brasil, país considerado o berço do multiculturalismo na América Latina, tem várias influências originadas da diversidade de povos que por aqui passaram e auxiliaram a criação de nossa nação, temos os Portugueses, Ameríndios, Japoneses, Italianos, Alemães e Africanos. Mas em especial neste momento iremos focar com maior precisão na influência que a África e todo o seu povo tiveram sobre nós.
  Portos, oceanos, navios, doenças, agricultura, escravidão, religião enfim todas estas palavras se interligam quando usamos um termo em análise, África, este continente de inúmeras máscaras culturais nos remete a tudo isto se analisarmos  sua ligação com o Brasil, a quem diga que nossa cultura se anexou a africana de certa forma, que hoje possamos nos considerar parte dela, a aqueles que dizem que apenas a parte baixa (pobre) do país a anexou e que a camada branca (rica) é que domina e da forma a nossa nação.
  A África esta presente em nossa cultura de muitas formas, na comida em que comemos, nas palavras que dizemos, nas músicas que cantamos em nosso sangue, corre sangue de grandes príncipes e reis africanos que trouxeram para cá sua cultura e seus costumes, é inegável que pela miscigenação de etnias em nosso país exista uma cultura cheia de fragmentos encontrados noutras porém a africana é muito presente em nossos dias.
  Gilberto Freyre em viagem a Moçambique no ano de 1952 ficou maravilhado ao ver a miscigenação que se tem por lá quase igual ao Brasil, porém em estado bem mais avançado, pois se aqui tínhamos 450 anos de misturas, por lá estas misturas já se perduravam por períodos superiores, lá esta mistura de culturas já ocorria há milênios. Ele tinha a posição que o Brasil era um país muito mais oriental que ocidental se observasse seus costumes, maravilhado ficou ao ver que estas ideias orientais estavam comumente ligadas às imigrações de escravos africanos que á milênios tinham contato com estas culturas orientais.
  Freyre acreditava que o Brasil com sua “democracia racial” era um país mestiço e impôs a ideia que ser mestiço era algo muito interessante, para ele a mistura de negros, brancos, mulatos, orientais, índios formando o Brasil como conhecemos, era muito rica, mas sempre afirmando que o grande árbitro que decidiu toda nossa cultura era o povo negro. Prova disto é que nem mesmo a concepção de inferioridade (quanto ao povo negro) imposta pelos europeus foram suficientes para neutralizar as influências africanas em nossa cultura.
  Em contraparte em nossa história temos Florestan Fernandes em seus pensamentos demonstrava que a ideia de democracia racial era errônea chegando até chamá-la de mito em poucas palavras ele demonstrou sua indignação com esta teoria. Que igualdade poderia haver entre o senhor, o escravo e o liberto?
  Podemos concluir que o Brasil sim é um país vasto de admiráveis valores culturais, valores estes vindos da grande diversidade de etnias que aqui vivem, mas, é uma grande discussão entre Freyre e Fernandes quanto à criação da cultura brasileira a partir da africana, um diz que o país é predominantemente voltado a ideias “brancas” de cultura, outro diz que é formado por um mundo oriental trazido para cá pelos nossos amigos africanos. Devemos deixar de lado estes conceitos eurocentristas e afirmar em nosso país a força do multiculturalismo só assim poderemos fazer um lugar com todo o potencial que temos descrito por Freyre que na teoria seria a forma correta, mas que na prática é mais voltada às ideias de Fernandes, dizendo que não há democracia nem para a burguesia branca, imagine-se para negros e mulatos.

E- references: